Sei que sumirei.
Fugirei.
Dos teus sonhos
molhados e loucos.
Não mais estarei ao teu lado.
Me deixes deitado
por só mais um pouco.
Não uso palavras.
Sei bem: Elas morrem.
Se nos julgam errados,
não falem, não julguem.
Me matem. Me culpem.
Só olhem.
No adormecido
criaras a sede.
Entre quatro paredes,
fizera um soneto.
Sem quartetos, tercetos.
Sem notas.
Suaves gemidos.
Um corpo suado,
um corpo esculpido.
Um poema é lido
em formato de prosa.
Olhares calados.
De peitos fechados,
Teu corpo bem junto
do meu.
Te larga em meus braços.
Trocando silêncios e afagos,
meus lábios tocavam
os teus.
Indomável suspiro.
Num belo arrepio
teu corpo
dançara.
Se me sentes
ao peito,
num belo efeito
o seu corpo
me tara
tão fácil.
Sob o céu estrelado,
deitaste a meu lado.
Eu era
naquele momento,
só teu.
Eram beijos
e garras.
Ficaram-te as marcas
daquele
tão bruto
amor meu.
Amor nosso.
O compasso
me mostra:
só há um desfecho.
No meu coração
não há trancos
ou fechos.
Só asas.
Não mais negarei,
pois então falarei
aquelas tão
proibidas palavras:
Te amo.