segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sem Asas

E ela anda.
Com passos curtos
e cabeça baixa.
Com olhos verdes
e cabelos rubros.
Com o rosto mais lindo
que se possa pensar.

Ela anda.
Com lábios rosados,
sorrisos serenos.
Suas mãos tão macias,
seus dedos pequenos.
Anda seu olhar perdido
e sempre a sonhar.

Ela, talvez, nem ande.
Se não em meus braços,
com seus belos traços
desfila.
Me hipnotiza.
E a mais quem se atrever
a olhar.

Ela voa.

Cidade

São dezenas de milhares,
andando a passos apressados.
De cabeça baixa
e sem emoção.
Têm histórias diferentes,
 e eles vem de mil lugares,
mas andam de olhos vazios
e para a mesma direção.

A luz alaranjada
diz não ser a sua casa
e alguns sentem até
falta dos seus pais.
Não há mais tempo
para os sentimentos
que passam cá dentro.
Vida, não entendo teus sinais.

E assim a vida passa:
Os teus sonhos se esvaem
como brasa última da chama.
Dia após dia, milhares de dias.
Terminam sempre contigo
dormindo na mesma cama:

 "Amanhã eu faço algo diferente".