sábado, 12 de abril de 2014

Dança do Vento

Pelos céus, cruzara
um corvo enegrecido.
Trazia consigo
o pó d'um passado.
E por árvores dentre,
um som agressivo
fizera soar.

Em chamas,
as asas inflara.
Era rubro
seu corpo dançante.
Se do fogo surgira,
ao fogo voltara.
Sumira, somente.
Num simples instante.

Escolhas malditas.
Nas trevas, um louco.
Lentos os passos
da marcha no solo.
Com um peito de fogo,
sem medos. Sem nojos.
Não duvidais
do meu foco.

Tua força crescera.
E tão muda, rompera
as correntes do medo.
Longe de tudo
e de todos,
teu suor e teu sangue
guardavam segredos.
Segredos cruéis.

Tendes fé,
meu bom nobre guerreiro.
As feridas lhe são tão honrosas,
quanto tua imagem
por trás da miragem
do espelho.
Nela, tu não acredites.

Há imagens
por trás da ilusão.
Há mensagens
ocultas em letras.
Tudo o que se percebe
é, em parte,
também criação.
Tudo o que julgas ter visto,
saíra de tua cabeça.

Na trilha do rio de lágrimas,
em urros, se clama tempesta.
Cortante era o frio
da noite sombria.
Beijava, uma mãe
a seu filho, na testa.

"Sonhes bem"
lhe dizia.
E as nuvens cinzentas,
por mais bravejantes,
sumiam.

"Estou aqui."
As ondas valentes
fugiam ao mar.
Os monstros, aos mestres
seguiam.
"E este é teu lar."

Pranteadas faces,
fumacento sopro.
Pálidos lábios,
Pensamentos altos.
Sentimentos vagos
num peito de estorvo.

Desde sempre sabia:
Viria a lembrar.
Dia após dia,
somente sentia
-tamanha ironia-
Eu sei: Pensarás.

Saudades do corvo.
Saudades do beijo.
Saudades da mãe.

No caminho, sozinho,
caminha.
Tens bom desempenho.
Um risonho
que em sonhos
se empenha.
Construtor de sonhos.

No peito já frio,
a vontade incendeia.
Amizades, amores,
castelos de areia.
Já não acreditas em nada.

Se por um momento,
perdeste-te ao mundo
e caíra profundo pra dentro de si,
lembra daquele teu corvo,
que das cinzas retorna
de tempos em tempos.
Gritai-lhe bem alto: Aqui!

Talvez ele venha ajudar.