segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Impasse

Engole em seco.
Nas batidas
me perco
e me encontro.
Como um falcão,
o olhar é firme.
Faces suadas,
mãos preparadas:
Armas em riste.

Inspira outra vez,
Mexe os dedos.
É a vez de vocês
não há volta.
E quem tem boa memória
se lembra.
Em impasses armados
não existe vitória.
Nunca houve.

Tempo
impiedoso
e veloz.
Me lembro,
às vezes,
de nós.
Na calçada
da rua.
Brincando
na Lua.
Em tua luz.
Os momentos
se foram.
Tormentos restaram.
E mataram
as tão nobres
lembranças.
Crianças?
Já fomos.
Não mais.

Vão homens,
vão armas.
Gloriosas
desgraças.
As balas zuniam
em vão.
Apenas soldados.
Sem mais coração.
Quê é isso?

Olha
no olho
da fera.
A morte
-tens sorte-,
O espera.
Da ponta
da arma,
um negro
deslumbre.
Teu suor,
bem pior:
virara chorume.

E teu corpo
tornara-se
pó.
Seu peito
gritante
arfava.
Tu' garganta
sem voz
lhe gritava.
Estás só.

Diga adeus.

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