Por dentro jazia, tu morto.
Tantas mãos lhe sentiram as curvas,
tantos lábios tocaram-lhe o corpo.
Amada Selena,
Tão bela, tão fria e serena.
Dara por órfão, seu filho.
Perdido na vida terrena,
fizera de si sua Helena.
Enxergou em Narciso, um amigo.
Dedicou-se ao estudo das partes.
Tinha um mestre:
Era o mestre de todas as artes.
Tal se via na Escola de Atenas,
envolto a figuras pequenas.
Aquele que à França parte.
O Divino vivera estes dias.
E Rafael, rumo aos céus, pincelava.
Mil tons de beleza.
Tamanha riqueza sandia
se via nas telas pintadas.
Afrodite lançou-lhe a magia,
e Eros, as setas.
Mas já não sentia.
Não fosse por essas,
ou outras.
Pois já não sentia o sentir.
A alma era fria,
e ele sabia
que só saberia
olhar para si.
Quando era ainda pequeno,
um toque de Apolo ganhara.
Provara e cuspira o veneno,
do amor com quê tanto sonhava.
Traçou com firmeza outros passos.
Queria não mais ficar por ali.
Na beleza dos traços,
na riqueza da prosa,
se encantara com os laços
das formas, das rimas, das rosas.
Finalmente se via, encantado.
Seus pais, orgulhosos, ao lado.
"Nós nunca saímos daqui".
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